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Hamilton



SÃO PAULO | Não se pode nem dizer que a má largada de Vettel definiu o rumo do GP da Inglaterra. O previsto ‘Sunday Drive’ de Hamilton se deu porque a Mercedes está muito, mas muito melhor, que a Ferrari também em ritmo de corrida. Não que se esperasse de Räikkönen um ataque feroz ou qualquer ameaça, mas mesmo se ali em segundo estivesse o alemão, as coisas não mudariam. Tanto que Seb sequer encontrou desempenho para enchouriçar a vida de Kimi e não teve como segurar o ímpeto e as melhores condições de Bottas no fim da prova.

Aí este fim da prova deu um tempero especial ao campeonato: os pneus das duas Ferrari foram para o saco, bem como os de Verstappen. Valtteri completou o cenário ideal para a Mercedes e Vettel despencou na classificação ficando atrás do ótimo Hülkenberg. E como diria o outro, teeeeeemos um jogo na F1: 1 miserável ponto de frente para o alemão na tabela do Mundial de Pilotos — porque, no de Construtores, a Mercedes já livrou uma baita distância.

Desde o GP do Canadá que a Mercedes está melhor e vem abrindo frente. A Ferrari tentou reagir, mas o novo pacote aerodinâmico é claramente insuficiente. E ainda bem que só há mais uma corrida antes das férias, a da Hungria, para que os italianos revejam todo o carro e busquem aletas, divisórias. penduricalhos e mais potência no motor para achar décimos preciosos em prol de Tião.

A corrida em Silverstone teve lá seus pontos interessantes, mas não foi de todo empolgante. De marcante, mesmo, fica a disputa entre Verstappen e Vettel — que, em tempos de outrora, puniria o holandês por recuperar a posição usando a área externa da Stowe —, a recuperação brilhante de Ricciardo e os pneus dechapados em cascata nas voltas derradeiras — que poderiam ter acontecido também com a Mercedes, já que os pilotos também estavam reclamando de vibrações.

Sobre Kyvat × Sainz, capítulo X. Se houver o Y, é porque a Toro Rosso tem uma paciência que a Red Bull não teve, porque é caso para uma última passada no RH para devolução do crachá. Desde que foi rebaixado, o russo só teve uma atuação decente: aquela de Singapura em que lutou para não ser ultrapassado por Verstappen. Em pontos, toma uma sova de Sainz; em ritmo e atuação, só é melhor que Palmer. Infelizmente Daniil não é mais um piloto de F1. E se de fato se confirmarem os rumores de um acordo Toro Rosso-Honda em 2018, os japoneses vão tirá-lo de lá nem que tenham de incentivar o harakiri de Kvyat.

Palmer nem largou, coitado, já prevendo a corrida horrorosa que teria. Massa partiu bem, chegou à décima colocação e por ali rondou a prova inteira. Levou um pontinho para não ficar chateado. As Force India esboçararam uma briguinha interna, mas não rolou nem uma ameaça de Pérez sobre Ocon. Aliás, é bom que os rosáceos observem o crescimento da Renault. Andaram bem atrás de Hülk o fim de semana todo.

No fim das contas e num resumo rápido e rasteiro, parece claro, assim, que a balança do título está pesando agora muito mais para o tetra de Hamilton do que para o penta de Vettel. Justamente na metade do campeonato e para alguém que nem chegou a ser líder solitário em 2017.

Sobre o Autor

Victor

Jornaleiro, dinamarquês, bebum, calhorda, galhofeiro, mulambo e autor de selfies com urnas. Tô sempre no Grande Prêmio e às vezes na ESPN

7 Comentários

  • Se as coisas continuarem como nos últimos GPs, prevejo não apenas que o Hamilton ganhará o título com facilidade como o Bottas ainda será o vice.

  • Podemos ficar felizes de ter visto um primeiro turno disputado pelo menos, porque no segundo turno a Mercedes vai passear como em 2014/15 e 16. O jeito é torcer pelo Bottas senão o negão vai faturar o tetra no México.

  • Esse problema de desempenho da Ferrari é muito ruim para o campeonato. É muito provável que o campeonato passe a ser um voo solo das Mercedes e vai ser a mesma chatice do ano passado. O campeonato pode ter acabado nesta etapa de Silverstone. Não acredito que a Ferrari vá encontrar meio segundo nessas férias de agosto. É uma pena, pois a empolgação de um campeonato de duas equipes pode ter ido para o espaço…

  • Justiça seja feita, na disputa com o Verstappen, o Vettel também saiu com todo o carro da pista. Não tinha muito como punir o Max só ali.

    • O desempenho do Bottas deixou evidente que a Equipe Mercedes massacrou não só a Ferrari , mas todo o grid da F1 até 2021.

Por Victor

O dono da bola


É jornalista, palmeirense, dinamarquês por opção e sempre pensou que ia ter de cobrir futebol antes de chegar ao automobilismo, que acompanha desde os 7 anos. E desde que se formou, está na Agência Warm Up e no Grande Prêmio, isso há mais de 13 anos. Neste tempo, foi colunista do iG, escreveu para 'Folha de S.Paulo', 'Lance!' , 'Quatro Rodas' e 'Revista Audi', foi repórter da edição brasileira da 'F1 Racing', cobriu F1, Stock Car, DTM, a Indy e quatro edições das 500 Milhas de Indianápolis, e outras categorias ‘in loco’. Agora também é comentarista dos canais ESPN. Conheceu cidades como Magdeburgo, São Luís, São Bento do Sul e Nova Santa Rita, traduziu um livro da Ferrari e já plantou um monte de árvores. Tem quem fale que seria um grande ator, mas ter ganhado o Troféu ACEESP 2011 como 'Melhor repórter' da imprensa escrita mostrou a escolha menos errada. Adora comida japonesa, música eletrônica e odeia ovo, ervilha e esperar. “Necessariamente nessa ordem", diz.
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